A cidade acorda sob o signo da indiferença. Nas telas de vidro, o algoritmo dita o ritmo: o homem é um erro a ser corrigido; a mulher, uma fortaleza que não pode admitir rachaduras. Mas, longe dos holofotes da grande mídia, no silêncio das salas de estar, o que se vê é o avesso da libertação. É o cansaço de uma guerra que ninguém declarou, mas que todos estão perdendo.
Quando afastamos o homem de seu papel espiritual, o que sobra é um vácuo de propósito. Historicamente, o sagrado impunha ao masculino o dever do sacrifício e da proteção — não como exercício de poder, mas como prova de amor. Sem esse norte moral, o homem se torna um náufrago. Uns se recolhem à covardia da apatia, outros, destituídos da disciplina da alma, transbordam em agressões que a própria covardia alimenta. O "homem covarde" que você mencionou é, muitas vezes, aquele que perdeu a consciência de que sua força serve para erguer, e não para esmagar. Socialmente, ele se torna um figurante, um ser que não sabe mais onde colocar as mãos porque lhe disseram que sua presença é, por natureza, uma ameaça.
Do outro lado do espelho, a mulher colhe as consequências psicológicas de um modismo que lhe vendeu a autonomia como uma forma de isolamento. A mídia vende a "misandria" como se fosse empoderamento, mas o que entrega é ansiedade. Ao abraçar o desprezo pelo masculino, muitas mulheres se veem presas em uma armadura de ferro que não permite o descanso.
O peso de ser "tudo para todos" — sem a contraparte de um homem que exerça sua responsabilidade social e espiritual — gera uma exaustão que as pílulas de felicidade não curam. O modismo diz que elas não precisam de ninguém, mas a alma grita por comunhão. O resultado? Uma geração de mulheres que, ao serem ensinadas a ver o homem como um inimigo biológico, sentem o amargor de uma solidão que não pediram. Elas se tornam vítimas de um discurso que prometeu liberdade, mas entregou um deserto afetivo.
A tragédia moderna é esse separatismo de conveniência. Quando a misoginia e a misandria se tornam moedas de troca política, o ser humano é reduzido a uma "genitália" que define se ele é vítima ou algoz antes mesmo de abrir a boca.
A punição para a covardia deve ser a lei, sim. Mas a cura para o caos social reside no resgate da mutualidade. Sem o homem em seu papel de pilar ético e sem a mulher livre das correntes do ódio ideológico, o que nos resta é uma sociedade de indivíduos atomizados, olhando para telas, enquanto o fogo do lar — e o da alma — se apaga por falta de lenha e de fé.
Comentários
Postar um comentário