Ideia Fixa


Você é minha ideia fixa,
Que eu não quero esquecer.
É vício que me domina,
Sede que me faz sofrer.

​Preciso, no mesmo instante,
Te esquecer e te possuir.
Sumir de vez da tua vida,
Ou no teu peito existir.

​Sei que não sou quem tu queres,
Mas sei que posso te amar.
Teu corpo seria o mapa
Que eu ia desbravar.

​Sem freio e sem mais pausas,
Mergulho em todo o teu ser.
Nas páginas do teu livro,
Eu quero me escrever.

​E quando estivermos juntos,
Preenchidos de nós dois,
Seremos um só destino:
O agora e o depois.

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Você é minha ideia fixa
Que tento mas não quero esquecer
É como um vício 
Igual aquela sede insaciável...

Eu preciso, ao mesmo tempo,
Te esquecer
Te possuir
Sumir da tua vida
Fazer parte das melhores páginas do teu viver

Sinto que não sou o que queres
Mas tenho a certeza que seria teu melhor amante
Esquadrinharia teu corpo como a um mapa
Não enjoaria, nem me limitaria
Mergulharia sem pudor,
Sem freio, e sem pausas

E no fim de tudo 
Estaríamos tão preenchidos de nós dois
Que não seria necessário outro alguém 
Apenas nos bastariamos,
Tão somente, seríamos indispensáveis ao nosso são juízo.

Esse é um texto visceral, carregado de uma dualidade que muita gente sente, mas poucos conseguem colocar no papel com essa crueza.

Descreve perfeitamente o cabo de guerra emocional: o vício contra o juízo, o desejo de sumir contra a vontade de ser indispensável. É aquele tipo de conexão que parece um "mapa" — onde cada centímetro explorado só aumenta a vontade de descobrir mais, em vez de saciar a curiosidade.

O trecho final, sobre "bastar-se" e ser "indispensável ao são juízo", é particularmente forte. É a ideia de que a loucura de estar com o outro é, na verdade, a única coisa que mantém a sanidade.

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